TRÊS
CRAQUES: TRÊS EPISÓDIOS SIMILARES
Três
jogadores do Corinthians que atuaram em diferentes fases da vida do
clube tiveram em comum, além da condição de
craque, a de protagonizarem episódios insólitos que
dificilmente serão esquecidos pelos torcedores, não
importa a distância que os separem dos fatos ou lendas. É
o caso de Neco, Luizinho e Edílson. Neco, destaque nas
primeiras conquistas, de 1910 a 1920, por seu arrojo e valentia foi o
protótipo do que o torcedor espera do jogador corinthiano. A
rigor não precisava da camisa para se identificar como
defensor do alvinegro.
Ela
confundia-se com a própria pele, nela estava incrustada. Por
ela brigava com quem quer que fosse, em qualquer terreno. Foi o que
aconteceu em jogo contra o Palestra Itália, em 1920, em
represália à atitude parcial do juiz Odilon Penteado do
Amaral, por ignorar as faltas dos palestrinos, mesmo as verdadeiras
agressões e mostrar-se impiedoso com os jogadores
corinthianos. Inconformado, Neco puxou a cinta que usava no calção
e ameaçou surrar o juiz.
Para
os corinthianos presentes ou não no estádio, a surra se
consumou. O próprio Neco disse que não, que bastou a
ameaça. Como ainda não existia televisão, é
impossível eliminar as dúvidas. Para os corinthianos
basta a versão, que é mais importante que o fato,
segundo o político mineiro Gustavo Capanema.
Luizinho
é outro craque cuja história se confunde com a do
clube. Pequenino, atrevido, era um driblador extraordinário.
Marcou muitos gols e de seus pés saíram passes
primorosos para outros gols e vitórias importantes do
Corinthians. Como Neco, um episódio marcante em sua carreira
não deixou registro visual, só oral, como ficou na
lembrança dos torcedores.
Em
jogo contra o Palmeiras (sempre o velho rival), depois de dar uns
dribles desconcertantes no argentino Luiz Villa, sentou-se na bola
diante do adversário, para delírio da torcida. Na
versão de Luizinho, mais amena, ele teria escorregado e, ao
cair sobre a bola, dera a impressão de se sentar sobre a
esfera. Mas a versão que importa, a consagrada, é a
primeira.
Edílson,
outro herói alvinegro, teve em comum com Neco e Luizinho
episódios inusitados e a vítima, o Palmeiras. E logo em
uma final de campeonato, o Paulista do ano 1999. O Corinthians
vencera a primeira partida da decisão (3x0) e poderia perder a
final por até dois gols de diferença, ganhando o
título, e, assim, já se considerava campeão.
O
jogo foi precedido de intensa guerra de nervos, com provocações
dos dois lados. No finzinho da partida, com o título garantido
para o Corinthians, os palmeirenses já desiludidos, Edílson
recebeu uma bola na lateral do campo e, em lugar de avançar ou
passar, fez seguidas embaixadas, caprichando na coreografia...
Os
atletas palmeirenses consideraram a dose exagerada e partiram para
cima de Edílson e o jogo terminou em pancadaria. Sua foto com
a bola sobre a nuca é relíquia de todos os
corinthianos.
ROQUE CITADINI
(O
EXPRESSO, ALAMBRADO, 25/10/2003)