FANTÁSTICOS
MEIAS-ESQUERDAS
A
configuração dos times de futebol já não
é a mesma dos tempos de Carbone e Rafael porém os
então chamados meias-esquerdas têm seus clones hoje e
igual prestígio. A função de meia existia e
tinha extraordinária importância no dábiiu eme
inglês, não se esvaziou na diagonal nem tampouco nos
demais sistemas. Estes mudam continuamente mas assim como não
prescindem dos goleiros reservam sempre papel de destaque para os
meias.
E
seus melhores ocupantes, os que mais contribuem para realçar
sua importância, ganham cadeira cativa na história do
futebol. O Corinthians cultiva os seus heróicos
meias-esquerdas. Neco, nome símbolo do próprio clube,
abre a série. É um caso a parte. Em menor escala
pode-se dizer o mesmo de Carbone. Três nomes estão
consagrados como meias: Rafael, Zenon e Neto.
O
primeiro enfrentou um teste de alto risco, passível de
abortar sua carreira logo no início - o de substituir
Carbone. Passou com distinção e louvor, como se dizia
na época. Foi figura destacada na memorável campanha
de Campeão do Centenário -1954. Por dez anos foi
senhor absoluto da posição, com a camisa 10. Jogou 456
partidas e marcou 113 gois. Fazia três coisas com maestria:
lançamentos, cobrança de faltas e de escanteios.
Zenon
é outro meia-esquerda inesquecível. Também
distinguiu-se como batedor de faltas e era capaz de deixar
companheiros com a bola "redonda" na cara do gol. Deu
inestimável contribuição à conquista dos
campeonatos de 1982-83. Jogou 306 partidas pelo Timão e
marcou 59 gois. Neto é o meia-esquerda que dentro do campo
"escreveu" um manual de como jogar na posição.
Chegou ao Corinthians em 1989, em uma troca por Ribamar, com o
Palmeiras. A torcida o adotou rapidamente e ele incrustou a camisa
alvinegra na própria pele. Brigava pelo time com e sem a
bola, o que lhe valeu punições, algumas por enfrentar
o juiz. Seu desempenho foi decisivo para a conquista do primeiro
título de Campeão Brasileiro, quando marcou nove gois
e com seus passes precisos possibilitou muitos dos demais 17 gols.
Até
na comemoração dos gois deixou uma marca
inconfundível, o escorregar de joelho na grama e um soco para
o ar.
ROQUE
CITADINI
(O
EXPRESSO, ALAMBRADO, 4/10/2003, p. 2º/11)