ALFREDO
SCHURING: PRESIDENTE INESQUECÍVEL
Um
balanço isento do centenário futebol brasileiro sem
dúvida mostrará saldo positivo. Nenhuma outra atividade
alcançou tal grau de desenvolvimento entre nós, a ponto
de colocar o Brasil em primeiríssimo lugar no mundo. Nossos
principais adversários, para usar um parâmetro
matemático, estão há oito anos (duas copas) à
nossa retaguarda.
Esse
desempenho é fruto de uma organização, clube,
ora vilipendiada e que muitos desejam extinguir em favor da panacéia
clube-empresa. Aos que discutem comigo essa questão, costumo
perguntar quais os bancos e grandes empresas contemporâneos do
Corinthians que sobreviveram. Sem pesquisa exaustiva é
impossível responder.
Se
o futebol é um grande negócio, seu combustível é
a paixão. O também quase centenário Corinthians
pode servir de exemplo. Seus fundadores eram operários,
artesões, gente pobre. Souberam atrair sócios e
admiradores. Entre eles intelectuais como Alcântara Macha do e
comerciantes como Alfredo Schuring. Em 1918 coube a Alcântara
Machado proporcionar o terreno para o primeiro estádio do
clube. Schuring, torcedor que não ia aos jogos, contribuiu com
a venda de material de construção a preço de
custo. E não parou aí. Mais tarde, quando o clube
estava sob ameaça de perder a Fazendinha, por não pagar
o saldo devedor da compra, o então presidente, Felipe Collona,
recorreu ao Dr. Wladimir de Toledo Piza e este não perdeu
tempo: foi à casa de Alfredo Schuring e voltou com os 227
contos de reis, uma fortuna na época, para saldar o débito
com os credores Nagib Salame e Assad Abdala. Já imaginaram se
o clube tivesse recorrido a um banco...
Alfredo
Schuring não se limitou à posição
nobiliárquica de benemérito do clube. Em momento de
crise no Corinthians, logo no início do profissionalismo,
concordou em assumir a presidência.
Sem
recursos para contratações ou até mesmo para
segurar seus melhores jogadores o clube fez uma campanha bisonha e
toda a diretoria renunciou. Passada a tempestade, o clube corrigiu a
injustiça e deu o nome de Alfredo Schuring para a
Fazendinha.

O presidente Alfredo Schuring.
ROQUE
CITADINI
(O
EXPRESSO, ALAMBRADO, 20/9/2003, p. 2º-11)