BRASIL,
SEDE DA COPA
Uma
boa notícia para o nosso esporte, a escolha do Brasil para
sede da Copa do Mundo de 2014. Nosso país tem a clara
preferência da FIFA e da cúpula do esporte
sul-americano.
Quem
poderia competir conosco, a Argentina, já deu apoio à
candidatura brasileira. No Continente, as potências
futebolísticas já tiveram oportunidade: Uruguai,
Brasil, Chile e Argentina. Ao Norte, o México já foi
sede duas vezes e Estados Unidos uma. Na Europa, França e
Itália já tiveram duas copas e a Alemanha ganha agora a
sua segunda.
Chegou
a nossa vez. Sediar a Copa é importante não apenas para
o esporte. Ganha igualmente o país. É a oportunidade de
tornar-se notícia obrigatória nos quatro cantos do
Planeta, de ser alvo da curiosidade geral. Mas, perguntaria um
cético, estará o Brasil em condições de
organizar uma Copa do Mundo?
Por
que não? Certamente não iremos seguir o modelo de
organização americana nas Olimpíadas de Atlanta,
o máximo em promessa de show tecno-lógico e o mínimo
em desempenho na hora das provas, para desespero da imprensa mundial
e de milhões de telespectadores em todo o mundo, inclusive
americanos.
E
o custo? Nada de extraordinário se levarmos em conta que o
capital exigido pelas obras de infra-estrutura terá retorno
garantido antes, durante e após a Copa. Ninguém vai
demolir os estádios, novos ou reformados, após a
disputa. As melhorias no sistema de transporte público e de
segurança nas cidades sede de grupos vão continuar à
disposição de habitantes.
A
Copa será, na realidade, um indutor desses investimentos.
Convém lembrar que a África fará a sua Copa
antes de nós e lá não existe país algum
mais rico ou menos pobre que o Brasil. Uma outra vantagem da escolha
é que ela reabilita, entre nós, a necessidade de
planejamento.
Com
o modismo neoliberal o planejamento foi confundido entre nós
com dirigismo estatal à mo-da soviética e abandonado.
No mundo do esporte o planejamento é lei.
Tanto
que menos de um ano após a Copa da Ásia a Fifa já
trata da escolha do país sede em 2014. Isto é, para
tornar real a candidatura, o Brasil terá que dar garantias de
ser capaz de organizar a futura Copa.
Ou,
em bom português: CBF, clubes, torcedores, empresas, poder
público nas diversas esferas terão que incluir o evento
em suas preocupações e planos desde já.
ROQUE
CITADINI
(O
EXPRESSO, ALAMBRADO, 5/4/2003)