O
REIZINHO DO PARQUE
Em
um dos períodos mais difíceis da história do
Corinthians, iniciado após o campeonato de 1954 e só
encerrado com a conquista do Campeonato Paulista de 1977, o time teve
o seu mais brilhante jogador - para muitos -, e, para mim, o maior
craque que vestiu a camisa alvinegra. Roberto Rivelino foi estrela
quando ainda jogava entre os aspirantes do clube.
Com
o time principal sem grandes jogadores, era comum a torcida
corintiana chegar cedo ao estádio para ver aquele
meia-esquerda driblar com habilidade, bater faltas com maestria,
encantando a todos com seu toque de bola. Rivelino, quando estreou no
time principal em janeiro de 1965, já era conhecido e
festejado. Neste período de adversidades do clube, Rivelino
foi quase sempre o único motivo de orgulho do torcedor
corinthiano.
No
mesmo ano foi convocado para a seleção brasileira, onde
começou ser presença indispensável no time
principal, mesmo com tantas estrelas do naipe de Pelé, Gérson,
Tostão, Gar-rincha e outros. Conquistou tudo pela seleção
brasileira, inclusive o famoso tricampeonato no México em
1970, quando fez gols maravilhosos e ganhou o apelido de patada
atômica.
Naquele
período dificílimo de 21 anos que o clube ficou sem
títulos, Rivelino venceu a adversidade com grandes e
memoráveis partidas. Não conquistou título, pois
o futebol é um esporte coletivo e os times adversários
como o Santos e a academia do Palmeiras predominaram no período.
A
ausência de títulos, no entanto, não deslustra
tão notável jogador. Deixou o clube em 1974, depois da
perda do título do Campeonato Paulista para o Palmeiras. Uma
diretoria fraca e despersonalizada não teve coragem de
confrontar-se com torcedores exaltados e com jornalistas que fizeram
ardorosa campanha contra o jogador Rivelino.
Foi
um dos maiores erros cometidos pelo clube, levado pela precipitação
e por manobras da mídia. Rive-lino continuou sua carreira no
Fluminense e na seleção brasileira, depois de jogar 471
jogos pelo Corinthians e marcar 141 gols. É um craque
inesquecível a quem o clube muito deve, inclusive uma
reparação por sua saída.

Roberto
Rivelino
ROQUE
CITADINI
(O
EXPRESSO, ALAMBRADO, 15/3/2003)