É
HORA DE ABOLIR A ESCRAVIDÃO NO NOSSO FUTEBOL
A
relação do governo com o esporte no Brasil padece de um
defeito grave, o desconhecimento do assunto pelo governo. Em primeiro
lugar, quando se fala em esporte no governo, o substantivo correto é
futebol. O poder público, no Brasil, pouca ou nenhuma atenção
dá aos demais esportes, salvo para homenagear equipes
campeãs, qualquer que seja a modalidade e assim tentar obter
dividendos político-eleitorais. Só acreditarei no
interesse do governo pelo esporte quando presidente, governadores e
prefeitos se juntarem para instituir no Brasil o ensino básico
em tempo integral e a educação física for
realmente incorporada ao dia a dia das escolas.Nada demais para a
12a. economia do mundo. E com os bancos mais lucrativos do planeta.
Quem
é realmente responsável por êxitos e fracassos do
futebol brasileiro? O poder público? Evidente que não.
Os clubes.Bem ou mal o futebol brasileiro é o que é,
cinco Copas do Mundo e mais uma infinidade de títulos
importantes, graças aos clubes.E ao futebol o Brasil
deve
o lado positivo de sua imagem lá fora. Em retribuição
o governo federal durante muitos anos tabelou o preço dos
ingressos do futebol. Isso mesmo. A Sunab tabelava ingresso de
futebol.
A
MP do futebol é contraditória. Ao lado de medidas
justas, como a que obriga os clubes a publicar balanços
auditados, o que favorece a indispensável transparência;
e a que resolve a questão do direito de imagem, tal qual a Lei
Pelé se omite na relação atletas-empresário.
Acabou o Passe para os clubes mas os atletas tornaram-se escravos de
empresários e procuradores. Contratos leoninos, assinados por
pais de atletas, pessoas de boa fé, pobres e iletradas, quando
os filhos ainda estão nas escolinhas dos clubes, valem para o
resto da vida. Por que o governo não intervem nessa relação
contratual? Qualquer empresário mediano tem sob controle mais
atletas que muitos clubes da elite do nosso futebol.
O
governo não se diz empenhado em abolir o trabalho escravo no
Brasil, como aliás é exigência da OIT, agência
da ONU para as relações de trabalho?
ROQUE
CITADINI
(O
EXPRESSO, ALAMBRADO, 1/3/2003)