CORINTHIANS ENTREGA CAMISA 13 AO SEU LEGÍTIMO DONO
Jornais,
rádio e televisão mostraram a homenagem do Corinthians
ao seu mais famoso torcedor, o presidente da República, Luís
Inácio Lula da Silva, na última terça-feira. Foi
um gesto nobre do Clube, não simples ato protocolar. Ou de
costumeira bajulação, da qual é muito difícil
alguém se livrar, na posição atual de Lula.
Quem
viu as imagens notou que o presidente a recebeu como verdadeiro
torcedor e ficou realmente feliz. Igualmente D. Marisa. A Camisa 13
do Corinthians foi dada a quem a merece pelo lúcido (no caso)
técnico Alberto Dualib. Faz parte do receituário
político, para a conquista de voto, a adesão a um clube
popular, mesmo que o político jamais tenha ido a um estádio
ou jogado uma pelada na infância.
Lula
fugiu à regra.. Sua inclinação pelo Corinthians
é realmente um caso de amor. Menino, ao chegar a São
Paulo, primeiro morou em Santos, e o Santos Futebol Clube vivia uma
grande fase e logo arrebataria multidões com o milagre Pelé.
Mas o menino Lula optou pelo Corinthians.
Por
que? Provavelmente por causa do prestígio do clube entre os
mais pobres e Lula era um deles. De outro modo seu caminho natural
seria torcer pelo Santos. A paixão que nasceu na infância,
cresceu na adolescência, persistiu na maturidade.
Está
gravado na Globo um depoimento do carcereiro do DOPS que cuidava da
cela onde se encontrava preso o líder sindical Lula, durante
greve que paralisava o ABC nos Anos de Chumbo. No geral, bom
comportamento. Mas se havia jogo do Corinthians, ai dos carcereiros
se não dessem um jeito de mostrar a partida na cela onde
estava o rebelde Lula!
Presente
à solenidade no Palácio do Planalto pude testemunhar
que o presidente Lula gosta, conhece e vive futebol, como é
natural no seu meio. E como torcedor engajado não se furtou de
comentários sobre o desempenho do Corinthians com o
“companheiro” Dualib.
Mais:
na condição de recém nomeado Conselheiro, quis
saber imediatamente quais seus direitos e deveres, daí ter
perguntado se teria direito a voto. Um bom começo, sinal de
que pretende encarar sua posição no Clube como algo
mais que honorífica. Melhor justificativa para a homenagem não
pode haver.
ROQUE CITADINI
(O
EXPRESSO, ALAMBRADO, 8/2/2003)