O
FENÔMENO BALTAZAR
Não
faltam estatísticas sobre artilheiros do futebol brasileiro
mas não lembro de nenhuma específica sobre gols de
cabeça. Minha curiosidade tem uma razão especial:
gostaria de saber quantos se aproximaram ou até ultrapassaram
a marca de Baltazar, o Cabecinha de Ouro, inesquecível ídolo
corintiano.
Pouco
mais da quarta parte dos gols feitos pelo Corinthians – 71 em
267 - foram de cabeça. Por prudência não ouso
dizer que tenha sido o recordista na matéria. Pelé, ao
contrário de Ronaldo, era um grande cabeceador.
Quantos
dos seus milhares foram gols de cabeça? Santista, Baltazar,
na verdade Oswaldo Silva, é um caso único de ter como
apelido nome próprio, o do irmão mais velho.
A
torcida achava seu jogo parecido com o do irmão, obrigado a
abandonar o esporte por contusão e implicância do pai e
passou a chamá-lo Baltazar e o Oswaldo foi esquecido. Baltazar
estreou no Corinthians em 15 de novembro de 1945, aos 19 anos de
idade.
Em
fevereiro de 1950 foi campeão do Rio-São Paulo e por
seu desempenho chamado para a Seleção de 50 por Flávio
Costa. Embora tenha tido destacada atuação contra o
Paraguai na Taça Oswaldo Cruz e contra o Uruguai na Taça
Rio Branco, não foi o centroa-vante titular, perdendo o posto
para Ademir de Menezes.
Mas
estava presente na conquista do Pan Americano de Futebol, um consolo
para o torcedor ainda triste com a derrota do Brasil em 50, no
Maracanã. Baltazar voltaria a ser chamado para outra Copa do
Mundo, a da Suíça, por Zezé Moreira, após
brilhantes atuações nas eliminatórias porém
ficou fora do time titular.
Baltazar
jogou no Corinthians por doze anos e também foi técnico
do time principal. Segundo artilheiro da história do clube
teve companheiros como Gilmar e Luizinho. E está presente na
música popular, como personagem da marcha “Gol de
Baltazar”, de Alfredo Borba, em homenagem pela artilharia na
conquista do título paulista de 1952.

Baltazar,
o Cabecinha de Ouro
ROQUE
CITADINI
(O
EXPRESSO, ALAMBRADO, 25/1/2003)