ALMIR,
O PERNAMBUQUINHO
Clubes
de tradição, colecionadores de títulos regionais
e nacionais, estão sob ameaça de cair para a 2ª
Divisão. A antiga tábua de salvação, a
maldita virada de mesa, parece excluída, o que dá
alento aos clubes em condições de acesso e sinaliza uma
2ª Divisão ainda mais atraente em 2003.
O
campeonato nacional no sistema de todos contra todos, em dois turnos,
como está proposto, só tem a ganhar com uma 2a. Divisão
forte. É em situações como essa que os clubes
candidatos ao rebaixamento mais necessitam do apoio de suas torcidas.
Como
corintiano orgulho-me de ter participado da epopéia da valente
torcida que reverenciou seu clube com o nome Timão justamente
durante o período de vacas magras. Parece incrível um
clube manter e ampliar sua torcida durante 23 anos sem título.
Nada dava certo.
O clube formou grandes e famosas esquadras, despertou entusiasmo com boas contratações. Garrincha, Nair, Ditão, Paulo Borges, Flávio, Buião e tantos outros craques. Nasce nessa fase o nome que se transformaria em marca do Corin-thians, TIMÃO.
Uma
das mais audaciosas tentativas foi feita em 1960, por Vicente Mateus,
então presidente: desembolsou seis milhões e meio de
cruzeiros pelo passe de Almir, chamado de o Pelé Branco. A
estréia foi enganosa. Contra o Vasco da Gama, seu ex-clube,
Almir abriu o placar na vitória por 3 x 1.
Mas
em 27 jogos marcou apenas 4 gols e deixou o Corinthians após a
derrota de 2 x 1 para o Flamengo. Junto com a torcida, lamento o
insucesso de Almir no Corinthians e as vicissitudes que o craque
enfrentou até sua morte trágica. Em seu livro de
memórias nada escondeu.
Contou
que jogou dopado na partida contra o Milan que decidiria o título
do interclubes de 1961 e disse que o juiz estava “acertado”.
Pelo que fez em campo sem aditivos ou complacência de juiz
realmente não precisava enfeitar sua biografia.

ROQUE
CITADINI
(O
Expresso, Alambrado, 16/11/2002)