O
CORINTHIANS NÃO É SÓ FUTEBOL
A
maioria vê o Corinthians pela sua face mais exposta, a do
futebol. Nada de mal ou de errado nisso, uma vez que o clube foi
formado em função desse esporte e seu nome resultou do
entusiasmo da maioria de seus fundadores pelo futebol do Corinthians
inglês, durante sua temporada em São Paulo.
Uma
visita à sede do clube pode surpreender quem o imagina
dedicado a um só esporte. Do lado esquerdo da avenida central,
está o pequeno estádio, palco de treinos e jogos da 2a.
Divisão. Do lado direito, o ginásio poli-esportivo. Se
o visitante subir a escada à esquerda, no mesmo prédio,
poderá visitar a sala de troféus.
Aí
verá, ao lado das taças de variados tamanhos, formatos
e materiais conquistados pelo futebol, outra grande variedade de
taças e placas de outros esportes. Uma curiosidade: a primeira
conquista do Corinthians foi no atletismo, em 1912, antes da sucessão
de vitórias no futebol. O basquetebol corintiano foi outra
grande fonte de alegria da torcida.
O
clube construiu a primeira quadra em 1928 e quatro anos depois já
conseguia os primeiros títulos. Com o amadurecimento do setor
no clube viriam conquistas relevantes no plano municipal, estadual,
federal e internacional, com a vitória no sul americano. Remo
( está no escudo do clube), natação, pugilismo e
artes marciais, há de tudo no Corinthians.
O
clube não faz mais, nos demais esportes, pela carência
de recursos. O futebol, único esporte que proporciona rendas
regulares, não consegue cobrir totalmente seus gastos por
motivos já conhecidos dos leitores dessa coluna. Cada
modalidade esportiva exige uma infra-estru-tura cara, além do
custo de manutenção. Mesmo fora do futebol, a maioria
dos atletas precisa de algum tipo de ajuda financeira se quiser
participar de competições importantes.
Aonde
buscar tais recursos? Grandes empresas de repente adotam uma equipe
de um esporte qualquer, impõe-lhe seu nome (marca a ser
popularizada) e depois uma ou mais competições dão
o fora. Diferente dos clubes não têm compromisso com o
esporte. Já os clubes dificilmente encontram patrocínio
e nenhum estímulo do poder público eis um bom tema para
colocar na mesa do novo presidente.
ROQUE
CITADINI
(O
EXPRESSO, ALAMBRADO, 26/10/2002)