A
SAGA DA FAZENDINHA
O
primeiro campeonato paulista de futebol profissional foi realizado em
1933 e o Corinthians participou mandando seus jogos em estádio
próprio, a Fazendinha.
O
nome, como é fácil adivinhar, provém da natureza
do amplo terreno, uma verdadeira fazenda na São Paulo de 1926,
não um latifúndio.
Mesmo
assim foi uma proeza a compra. O clube não tinha receitas
compatíveis com o elevado investimento (750 contos de reis,
quantia que exigiria uma infinidade de cálculos para
traduzi-la na moeda atual) e os vendedores, os empresários
Nagib Salem e Assad Abdala, confiaram no clube.
Mais
audacioso ainda foi o empresário Alfredo Schurig, que ajudara
na construção da sede, vendendo material a preço
de custo e mais tarde pagando do próprio bolso o restante da
dívida, exatamente 227 contos de reis.
Dez
mil pessoas, público respeitável para a época,
foram à inauguração do estádio no dia 22
de julho de 1928, quando se enfrentaram os campeões do
Centenário da Independência em seus respectivos estados:
o Corinthians e o América do Rio de Janeiro. Antes do jogo
(empate de 2 x 2) anfitrião e visitante trocaram gentilezas.
O
Corinthians presenteou o América com uma bandeira do clube
confeccionada especialmente para festejar o acontecimento. E o
visitante retribuiu com uma escultura em bronze, Char de La Victoire.
Alfredo
Schurig, o homem que pagou quase um terço da sede, foi eleito
presidente do clube, por indicação do antecessor,
Felipe Collona e dá seu nome ao estádio. Relembro a
origem da Fazendinha no momento em que ela está às
vésperas de nova e importante mudança. Aguardem.
ROQUE
CITADINI
(O
EXPRESSO, ALAMBRADO,31/8/2002)