COMO
MELHORAR A MEDIDA PROVISÓRIA DO FUTEBOL
O
governo pode e deve intervir no futebol profissional como em qualquer
atividade passível de provocar conflito de interesses, como já
o faz mundo a fora. Os clubes, Corinthians inclusive, estão
negociando com o governo o aperfeiçoamento da Medida
Provisória. Eis as nossas sugestões de
mudança:
1-Direito de Imagem
Definir
claramente a questão do direito de imagem dos atletas.
Parece-me impossível ( e indesejável ) voltar atrás.
A lei deveria dizer que os clubes, como pessoa jurídica,
poderiam celebrar contratos para exploração do direito
de imagem dos atletas, estes, no caso, igualmente considerados pessoa
jurídica. Na impossibilidade de regulamentar o direito de
imagem nestas condições, proibi-los “a partir da
vigência desta lei”, para evitar que os clubes sejam
punidos injustamente com o pagamento de multas e contribuições
sobre tais direitos ao fisco e INSS.
2-Salários
de jogadores nas seleções nacionais:
Atualmente
os clubes cedem jogadores a várias seleções,
quase durante o ano inteiro. Além da principal há
seleções sub-17, sub-20, etc. Além dos gastos
com a preparação desses atletas os clubes também
lhes pagam salários e não têm como agüentar
o prejuízo. O pagamento dos salários e direitos de
imagem a esses atletas deveria ser imediato, em dinheiro ou em bônus
do tesouro válidos para quitação de impostos e
taxas federais.
3-
Fundo de Apoio às Categorias de Base
O
governo deveria, com a MP, criar um programa de estímulo à
formação de jogadores, permitindo o abatimento das
despesas nos impostos e dívidas com o fisco. Os benefícios
teriam as seguintes limitações: a ) só
receberiam apoio do fundo os clubes que têm futebol
profissional e cujas divisões de base participam de
competições oficiais; as despesas compensadas seriam os
salários dos jogadores, técnicos e dos profissionais de
apoio(médico, preparadores físicos,
fisioterapeutas,etc) , bem como os gastos com alimentação,
medicamentos, uniformes, materiais etc.
Tais
benefícios fiscais poderiam ser extensivos às empresas
mas exclusivamente se aplicados por clubes profissionais, para evitar
os vícios das leis de incentivo à cultura. Enquanto
teatros, museus, orquestras estão à míngua os
bancos ostentam luxuosos institutos culturais fajutos.
4-Fundo
de Investimento em Infraestrutura do Esporte.
O
governo acena com a possibilidade de apoiar a reforma e a
modernização dos estádios bem como dos centros
de treinamentos dos clubes, mediante financiamentos do BNDES. É
preciso limitar ao mínimo a burocracia para concessão
dos empréstimos ou nenhum clube, nos próximos cem anos,
verá a cor de um única cédula de real.
5-Proibição
da saída de jogadores jovens
A
FIFA recomenda e muitos países já proíbem a
saída do país de jogadores menores de 18 ou 21 anos. O
Brasil é uma não honrosa exceção. O
governo justifica sua inação com o direito de ir e vir.
Errado. Todo direito tem limitações. E uma coisa é um
Romário ou Ronaldo e outra as centenas de jovens
desconhecidos que vão se tornar escravos de empresários
inescrupulosos no exterior.
6-Restrições
aos contratos de agentes e procuradores.
A
Lei do Passe só acabou para os clubes. Para empresários
e procuradores ela permanece viva e muitíssimo lucrativa. O
ideal é aplicar, no Brasil, as normas da FIFA para que o jovem
jogador não fique escravo de empresários e
procuradores.
7-MINISTERIO PUBLICO
Não
há razão para este artigo, intervenção do
Ministério Público, na lei. Se, como argumenta o
governo, trata-se apenas de fixar a competência da Justiça
Federal nas questões do futebol, bastaria dizer simplesmente
que compete a esta esfera do Poder Judiciário as questões
relativas aos conflitos entre clubes, federações e
jogadores.
8-Investigação
por solicitação de sócios
Outra
medida absurda e restrita ao futebol. Podem os acionistas
minoritários de bancos e outras S/As questionar e investigar
pari passo a gestão de tais empresas?
9-Balanços
e Auditorias
A
publicação de balanços e pareceres de auditores
já é prevista em lei. Nada a opor salvo restringir a
exigência às atividades profissionais dos clubes das
primeira e segunda divisões.
10-Transformação
em empresas
Um
grave erro do governo. A estrutura do futebol brasileiro, montada em
clubes, colocou o Brasil como potência do futebol. O futebol
como empresa é um fracasso em países onde já
existia empresas antes da descoberta do Brasil. Vejam o que aconteceu
com o Benfica empresa. Na Itália os clubes empresa estão
em péssima situação e na França o Paris
Saint Germain está sendo obrigado a vender seu maior ídolo,
Ronaldinho Gaúcho, por exigência do controlador, o grupo
Vivendi, ora em situação financeira precária,
quase falimentar.
Vamos
deixar de lado a mania de destruir a casa para consertar um
encanamento ou algumas goteiras no telhado. E muitas vezes construir
a nova casa com projeto mambembe, cálculo estrutural não
confiável e material de má qualidade. Juízo
governantes!
ROQUE CITADINI
(O EXPRESSO, CAPÃO BONITO-SP, ALAMBRADO, 10 e 17/8/2002)