BASTA
DE MODÉSTIA!
NOSSO FUTEBOL É O MELHOR DO MUNDO
Escrevo
emocionado com a vitória do Brasil sobre a combativa e
habilidosa equipe da Turquia e afirmo, sem receio, que nosso futebol
é realmente o melhor do mundo. Em meu favor, o reconhecimento
dos nossos principais adversários. A reação dos
ingleses à derrota diante do Brasil foi de conformismo.
Aconteceu o que era esperado, o mais forte vencer o mais fraco.
Ninguém
irá amaldiçoar o técnico sueco ou os jogadores.
Afinal o Brasil conquistou quatro vezes a Copa do Mundo, todas as
quatro jogando fora de casa. Foi duas vezes vice-campeão, e
por ironia, na primeira, jogando em casa. Muitos dos clubes mais
importantes do mundo, principalmente na Europa, têm entre suas
estrelas jogadores brasileiros.
Somos
os maiores do mundo no esporte mais popular do mundo. Além de
torcedor encaro o futebol como fenômeno sociológico.
Impressiona-me o seu poder de irradiar calor, despertar paixão,
conquistar corações entre pessoas de todas as idades,
raças e posição social. Se há
controvérsia em relação a quem inventou o
esporte, os ingleses, italianos, chineses ou outros povos, há
unanimidade sobre quem fez dele uma arte, nós, os brasileiros.
Mais
que nossas vitórias, importa a beleza, a criatividade, a
maneira como nossos atletas tratam a bola. Não há
antologia de futebol que omita três lances de Pelé na
Copa do México: o chute do meio do campo que levou ao
desespero o goleiro tcheco; o drible no excelente goleiro uruguaio
Mazurkiewicz e a cabeçada contra o gol inglês.
Nenhum
deles resultou em gol mas as seqüências fotográficas
e as imagens da TV são mostradas continuamente em todo o
mundo. E o excelente goleiro Banks tem como a jóia da coroa em
seu currículo justamente a defesa da cabeçada genial de
Pelé. O amante do futebol é apaixonado, aparentemente
irracional porém dotado de sensibilidade artística.
Se
os Estados Unidos cul-tuam seus heróis, sejam os líderes
da Revolução Americana, os barões ladrões
ou seus inventores e artistas; os ingleses adoram os monarcas que
lhes deram um império; os alemães reverenciam seus
generais, gênios da música e da literatura, temos o
dever de honrar nossos gênios na arte em que são
insuperáveis.
E
é triste constatar que muitos deles morreram à mingua,
esquecidos e desprezados. Qualquer que seja o resultado do jogo de
domingo, vamos receber com aplausos e flores os nossos heróis
da Copa da Ásia. E ergamos brindes a Ronaldo e a Marcos, a
Rivaldo e a Cafu, e lembremos também os precursores Domingos
da Guia e Leônidas, Neco e Friedenreich, sem esquecer os
semi-deuses Pelé e Garrincha.
Enfim
todos os que proporcionaram momentos de imensa alegria a seu povo e
colocaram o Brasil em posição de destaque no cenário
universal.
ROQUE CITADINI
(O EXPRESSO, ALAMBRADO, 29/6/2002)