UM
PELÉ BRANCO E O DIVINO MESTRE FORAM DO TIMÃO
Poucos
astros do futebol brasileiro passaram ao largo do Timão. Pelé,
Edson Arantes do Nascimento, foi uma das exceções. Mas
Garrincha, o herói da Copa de 1962, quando Pelé ficou
de fora a partir do segundo jogo, já em fim de carreira,
vestiu a camisa alvinegra. O insubstituível Mané teve o
melhor contrato de sua carreira no Corinthians.
O
lendário Domingos da Guia, revelado no Bangu e consagrado no
Flamengo e Vasco, jogou quatro anos no Corinthians. Veio para São
Paulo com 32 anos, depois de brilhar na Copa de 38 na França e
de ser campeão pelo Boca Junior de Buenos Ayres e Nacional de
Montevidéu, onde recebeu o apelido de Divino Mestre. Domingos
da Guia estreou no Timão no dia 13 de fevereiro de 1944 e
participou de mais 115 jogos.
Sua
despedida foi em jogo amistoso com a Francana, no dia 1º de
fevereiro de 1948. Em longa temporada sem títulos, Vicente
Matheus tentou a reviravolta com a contratação do
jogador mais discutido na época, Almir. Seu passe, comprado ao
Vasco da Gama, custou seis e meio milhões de cruzeiros, cifra
assombrosa na época.
Habilidoso,
veloz, combativo, Almir Pernambuquinho era notícia também
por seu temperamento explosivo que o levava a brigar com qualquer um,
dentro ou fora do campo. Por seu futebol era chamado de Pelé
Branco. Almir não foi feliz em sua passagem pelo Corinthians.
Fez
poucos gols, não conseguiu por fim ao jejum de títulos
e por sua fama, salário acima dos demais companheiros de
equipe, provocou divisão no elenco. Um ano depois deixou o
Timão, transferindo-se para o Boca Junior.
ROQUE
CITADINI
(O EXPRESSO, "ALAMBRADO", 15/6/2002)