UM
OSSO PALESTRINO É CULTIVADO NO PARQUE SÃO JORGE
A
rivalidade entre Corinthians e Palmeiras, perene fonte de motivação
para o futebol em São Paulo, nasceu há 85 anos e
certamente jamais morrerá.
Campeonato
Paulista, Torneio Rio-São Paulo, Campeonato Brasileiro,
qualquer competição perderia muito sem essa acirrada
disputa. Ao longo da história ela se enquadra em uma definição
do Dicionário Houaiss para rivalidade: oposição,
por vezes lúdicas, geralmente sem grandes conseqüências,
entre dois ou mais indivíduos, grupos, instituições,
que perseguem o mesmo objetivo e em que cada lado visa suplantar o
outro.
Tal
disputa começou realmente de forma lúdica. Em 6 de maio
de 1917 o Corinthians, campeão invicto da Liga Paulista de
Futebol, ingressou na entidade rival, a Associação
Paulista de Esportes Atléticos e no primeiro confronto com o
Palestra Itália perdeu por 3 x 0. O alvinegro terminou o
campeonato em quarto lugar e seus adeptos não esqueceram
aquela derrota no Parque Antártica. Daí em diante o
Palestra, depois da II Guerra Palmeiras, tornar-se-ia o principal
adversário do Timão.
No
campo da gozação a iniciativa coube aos pales-trinos
mas o desfecho seria favorável aos corintianos. Foi no 13 de
Maio de 1918 o segundo confronto. Como era costume na época,
os times se reuniam no almoço, antes do jogo. O Corinthians
escolheu o restaurante de um hotel na Rua Boa Vista, no Centro. Um
grupo de palestrinos ao descobrir os novos rivais no restaurante
fizeram uma divertida provocação.
Jogaram
no salão, no meio dos jogadores, um osso de boi com uma
mensagem: O Corinthians é a canja para o Palestra.
Não é preciso dizer como os dois times lutaram pela
vitória. No final um empate de 3 x 3 e a bem humorada resposta
do Corinthians: guardaram o osso como troféu e a inscrição
Este osso era para a canja e não cozinhou por ser duro.
O
osso continua reverenciado no Parque São Jorge...
ROQUE
CITADINI
(O
EXPRESSO, ALAMBRADO, 25/5/2002)