POR
UM BRASIL POTÊNCIA NO FUTEBOL
No
ranking da FIFA o Brasil está em terceiro lugar, atrás
da França, atual campeã do mundo e da vizinha
Argentina, que tem no momento melhor campanha que a nossa. Seleção
é o reconhecimento da força do futebol verde-amarelo,
não obstante nossos últimos tropeços. E mais,
somos elite da elite do futebol mundial, algo como os Estados Unidos,
Japão ou União Européia na economia. Uma posição
constras-tante com a penúria em que se encontra a maioria dos
grandes clubes brasileiros, os artífices da grandeza de nosso
futebol. Situação inaceitável para clubes,
atletas e profissionais que vivem do esporte e também para o
público.
Os
erros são conhecidos, a começar pela falta de um
calendário racional. Como foi possível adotar o atual,
capaz de ameaçar o Flamengo com quatro meses de inatividade?
Ninguém vislumbrou essa hipótese antes porque nos
viciamos em organizar campeonatos como se faz no exterior, com as
Copas e Torneios em que os perdedores vão ficando pelo
caminho, na vã esperança de torná-los mais
atraentes. Não é o que acontece.
A
fórmula universal é a da divisão dos clubes de
acordo com a sua força e em cada categoria a disputa de todos
contra todos, pontos corridos, jogos de ida e volta. E mais, regras
claras de acesso e rebaixamento, para oxigenar as principais
categorias, além de animar a disputa nas categorias
inferiores. A adoção de tal critério permitiria
realizar um campeonato nacional de dez meses, de março a
dezembro, intercalado, parte do ano, nos meios de semana, com outros
torneios, como a Copa do Brasil, etc. Esta fórmula equivale
àquela conhecida na geometria, de que a reta é a menor
distância entre dois pontos. Ou ao óbvio ululante
de Nelson Rodrigues.
Por
isso mesmo é a mais universal. Com ela nenhum clube ficaria
ameaçado de inatividade. Poderia mudar de categoria, descer
para a segunda ou subir, o que daria a cada partida a condição
de jogo decisivo. Esses são os requisitos básicos para
o futebol brasileiro atrair investidores. As características
do produto seriam conhecidas de antemão. A empresa X ou Y
saberia quantas vezes e onde sua marca seria exposta.
A
sonhada venda antecipada, mediante carnês, enfim, teria
oportunidade de ser usada. Sistema parecido vige também em
outros esportes praticados pro brasileiros. A Fórmula 1, por
exemplo. O autódromo de Interlagos fica pronto no dia certo,
como os demais recursos. Para chegar a esse nível de
profissionalização é necessário que os
clubes se compenetrem de que são os reais donos do poder no
futebol, não as federações e confederações.
Quem proporciona as rendas, a CBF? As federações?
Evidente que não.
ROQUE
CITADINI
(O
EXPRESSO, "ALAMBRADO", 6/4/2002)