COMO
NASCEU O TIMÃO
Criado
no início do Século XX, o Corinthians acumulou
vitórias, títulos e também alcunhas ao longo de
sua história. Neste particular talvez nenhum outro clube o
supere. Foi uma caminhada acidentada, cheia de obstáculos,
para o hoje esquecido Clube dos Calções
Pretos, como escreviam os jornais dos anos 10 e 20, ficar
consagrado como Timão. O uniforme continuou o mesmo,
calção preto e camisa branca, mas a alcunha mudou, por
força de uma vitória consagradôra, o título
de Campeão dos Campeões, conquistado
no campo embora não oficializado por liga nenhuma.
Sua
origem é motivo de polêmica: teria nascido da vitória
sobre os campeões paulistas de 1915 pela APEA, o Palmeiras,
por 3 x 0 e outra vitória pelo campeão da LPF, o
Germânia, por 4 x 1. Ou na vitória sobre o
Vasco da Gama, campeão do Rio, em 1930. Datas históricas,
como o Centenário
da Independência do Brasil (1922) e o IV Centenário
da Cidade de São Paulo (1954), por coincidirem com a
conquista de campeonatos paulistas, transformaram-se em alcunhas do
Corinthians. A construção de seu estádio também
iria servir de alcunha, com a novidade do Grêmio ou Time do
Parque São Jorge.
Outras
alcunhas viriam da associação de três jogadores
com heróis de célebre romance e de um hábito dos
torcedores. O jornalista Thomaz Mazzoni, impressionado com a vitória
do Corinthians contra o Barrancas da Argentina, chamou o time
Mosqueteiro, denominação que logo se
popularizou. Para a torcida, fora uma homenagem do jornalista ao trio
defensivo do time, formado por Tuffy, Grané e Del Debbio. Nos
anos 50 o clube receberia a denominação de Charuto,
porque ninguém sabe a razão, tornou-se moda fumar
charuto nos estádios em jogos do Corinthians.
Um
concurso promovido pela TV-Paulista (atual TV-Globo) em parceria com
o jornal Última Hora, em 1955, daria ao Corinthians o título
de Mais Querido. Nos anos 60, na gestão de Wadih Helu,
nasceu a alcunha que permanece. Como sempre, começou na
imprensa e logo foi adotada pela torcida. O ponto de partida foi a
ousada série de contratações de grandes craques,
como o imortal Garrincha.
Só
um TIMÃO seria digno dele.
ROQUE
CITADINI
(O
EXPRESSO, ALAMBRADO, 9/3/2002)