ALCÂNTARA
MACHADO ERA UM INTELECTUAL DA FIEL
É
antiga a ligação entre intelectuais e o esporte.
Ninguém esquece do mente sadia em corpo sadio
ouvido na escola. Com o futebol dá-se o mesmo. No Brasil o
esporte começou na elite e seus primeiros praticantes nada
tinham de comum com a maioria dos atletas profissionais de hoje.
Tinham
dinheiro e instrução. Os pobres, graças aos
terrenos baldios da várzea e às bolas de meia, de
bexiga de boi, etc., conseguiram praticá-lo e, mais ainda,
aperfeiçoa-lo.
Se
os intelectuais, de qualquer classe social, tiveram olhos e ouvidos
para as criações populares, não poderiam
desprezar o futebol só porque o esporte emigrou da City para a
várzea. Escritores como José Lins do Rego e Nelson
Rodrigues adoravam o futebol e eram capazes de matar e morrer pelos
seus times, o Flamengo e o Fluminense. Em São Paulo, igual
paixão pelo Corinthians tinha José de Alcântara
Machado dOliveira ( 1875 - 1941 ).
O
autor de Vida e Morte do Bandeirante, paulista de
Piracicaba, deixou seu nome na literatura, nas letras jurídicas
e na política. Impossível escrever a história de
São Paulo, sob qualquer ângulo, sem o mencionar. É
o que acontece quando se fala do futebol. Torcedor do Corinthians,
teve seu nome lembrado para a presidência do clube em eleição
na qual não figurava como concorrente.
Mais
tarde, pelos serviços prestados, foi Presidente Honorário
do Corinthians e na inauguração do estádio do
Clube na Ponte Grande, em 1918, deu o ponta pé inicial no jogo
comemorativo, justamente contra o Palestra Itália e que
terminou, como convém a uma festa, empatado de 3 x 3.
Na
esteira de Alcântara Machado, outros intelectuais
incorporaram-se à Nação Corintiana. Mas isso é
assunto para outras histórias.
ROQUE
CITADINI
O presidente Alcântara Machado.
(O
EXPRESSO, ALAMBRADO, 2/3/2002)