O
CORINTHIANS FAZ A HORA
A
carreira do goleiro Roger foi muito prejudicada e quase terminou
antes da hora porque ele aceitou posar nu para uma revista gay. O São
Paulo afastou-o, emprestou-o a um clube de menor expressão e
só o reintegrou ao elenco quando o episódio já
parecia esquecido. É inquestionável que a carreira do
atleta foi prejudicada. Episódio semelhante aconteceu no
Corinthians mas a atitude do clube foi diametralmente oposta à
do São Paulo. Vampeta e Dinei, dois ícones do clube,
posaram para a mesma revista, igualmente com o uniforme com que
vieram ao mundo mas não sofreram nenhuma represália,
embora a repercussão na imprensa tivesse sido igual ou maior
que a do caso Roger.
Quem
lembra isso hoje? Quase ninguém e não se pode dizer que
a imagem do Corinthians tivesse sido arranhada. Quem conhece a
história do Corinthians não se surpreende e menos ainda
se choca com o comportamento do clube no episódio.
Discriminação e Corinthians decididamente não
rimam. O clube foi fundado quase que somente por italianos e
portugueses de condição econômica modesta, ao
contrário da maioria dos clubes da época,
caracterizados como de colônia, isto é, de
alemães, italianos, etc.
O
Corinthians acolheu todos os que bateram à sua porta: árabes,
ditos turcos, armênios, judeus, baianos, negro e
assim por diante. Não importava a etnia nem a profissão,
o que levou o clube a ser chamado de time de carroceiros, time de
preto, de baiano, e mais recentemente de time de maloqueiro e time
de favelado. Os adjetivos preconceituosos tiveram o mérito de
mostrar que o Corinthians é, na realidade, uma amostra
perfeita do Brasil, daí seus adeptos orgulhosamente se
intitularem de Nação.
Existe,
de fato, uma Nação Corintiana e nela não há
lugar para a intolerância e o preconceito.
ROQUE
CITADINI
O ídolo Vampeta posa na revista G.
(REPRODUÇÃO)

(O
EXPRESSO, ALAMBRADO, 16/2/2002)