UM
GRANDE ESPETÁCULO NO CARANDIRU
Em
1953 o Corinthians já era respeitado em São Paulo e
também no País. Maior prova de reconhecimento foi o
convite para representar o Brasil na Pequena Copa do Mundo realizada
em Caracas, de onde voltou com o título, muito celebrado, não
só por corintia-nos. Vitória em torneio internacional
desse porte, fora de casa, após o fiasco de 50 no Maracanã,
era um milagroso bálsamo para o orgulho ferido do
brasileiro.
Todos
queriam ver o grande time em ação. Até mesmo os
presidiários. O convite para a realização de um
treino no Carandiru foi feito pelo sr. Silva Teles, uma autoridade do
sistema penitenciário avançada para a época.
Antes ele levara o São Paulo e sentiu-se obrigado a fazer o
máximo para proporcionar aos seus involuntários
clientes uma exibição do Corinthians. O
Clube entendeu o alcance do pedido e programou para uma sexta-feira,
no Carandiru, o último coletivo para o importantíssimo
clássico de domingo com o Santos.
O
então chamado apronto. Detentos, funcionários
e jornalistas viram um grande espetáculo, encenado pelos
inesquecíveis astros Baltasar, Luisinho, Cláudio,
Carbone, Roberto e Gilmar, futuro goleiro da Seleção. O
técnico Rato deu ao apronto a feição de jogo e
titulares e reservas, estimulados pela platéia, agiram como se
já estivessem em campo para a disputa do clássico. Os
titulares golearam por 7 a 3 e o Cabecinha de Ouro foi o dono da
festa com seis gols.
Os hóspedes do sr.
Silva Teles viveram momentos de alegria e liberdade.
ROQUE CITADINI
FOTO: GAZETA PRESS.

(O
EXPRESSO, ALAMBRADO, 26/1/2002)