RUIM DE NÚMEROS
O
jornal O Estado de S. Paulo, edição de segunda-feira,
21 de novembro, publica página inteira sobre os números
da parceria Corinthians-MSI (“Um ano de casamento. E a MSI
ri à toa com o Corinthians”). Números frios,
gelados. Todos divulgados por uma das três assessorias de
imprensa da MSI. Melhor ficaria se publicado na “Gazeta de
Vladvostok”.
Em matéria de escamotear a verdade,
o divulgado se alinha aos melhores momentos da Enron (gigante
elétrica norte-americana que virou pó), e chega a fazer
inveja aos últimos balanços antes da derrocada da
Parmalat.
A estratégia básica da divulgação
dos números é mostrar grandes resultados, exaltando com
isto a esperteza e a eficiência dos administradores. Como
sabemos, além de outras coisas, o objetivo das pessoas que
fazem parte da MSI é ganhar status de grandes gestores na
sociedade. Seria assim: não falem de onde vem o dinheiro para
tantos pagamentos, mas, sim dos grandes negócios
que realizo.
O objetivo principal da
divulgação destes números é superestimar
as receitas e subestimar as despesas; assim, passa-se a impressão
de que o clube dera notável salto na captação de
recursos, pagos pelos seus contratados, e pouco aumentara suas
despesas. Desta forma ninguém ficará perguntando de
onde viera o dinheiro para tantos pagamentos.
Comecemos pelos
equívocos mais gritantes nas receitas:
-“A
Samsung pagará R$15 milhões por ano, enquanto a Pepsi
pagava R$ 2 mi”. Errado. A Pepsi pagava por volta de R$ 8 mi
anuais ao clube e a Kolumbus, pouco mais de R$ 2 mi. O contrato com a
Pepsi foi, à sua época, o melhor entre todos os clubes
brasileiros, como, aliás, está sendo o da Samsung nos
dias atuais. Muito longe do que o operador da MSI havia prometido nos
primeiros meses de parceria;
-“A Nike paga R$ 5 milhões
anuais”. Também está errado. Paga menos. Todavia,
o contrato celebrado em 2003 com a Nike é um importante salto
que o clube deu e certamente permitirá às contratações
futuras serem em melhores padrões;
-A receita de
televisão, citada em R$ 21 milhões/ano, e que
representou um grande aumento comparado ao ano anterior, não é
fruto da mágica MSI. Foi conquistada no final de 2004, em
reunião do Clube dos 13, e é a mesma de clubes como São
Paulo, Palmeiras, Flamengo e Vasco. Deste valor bruto precisará
ser retirado pouco mais de 10% para impostos e taxas.
Na
matéria, com os números divulgados por uma das
assessorias da MSI, as despesas são estrategicamente
diminuídas. Por exemplo, a folha de pagamento do clube estaria
em torno de R$ 4 milhões/mês, o que totalizaria R$ 48 mi
ao ano. Ora, como sabemos, o ano trabalhista é de 13 meses e
não de 12. Além de os valores mostrados não
incluírem prêmios e bichos.
O chamado “Custo
MSI” tem equívoco maior, pois inclui as cifras de
contratação de apenas uma das suas assessorias de
imprensa; as duas outras e todo o custo administrativo estão
fora.
É inegável que com investimento pode-se
melhorar as receitas e despesas, como, aliás, ocorreu quando
das parcerias com o Banco Excel e com a Hicks. Mágica, no
entanto, não é o melhor caminho no mundo dos
negócios.
Além de tentar impressionar com
números e com opiniões fantásticas, a MSI
procura esconder como fez os seus investimentos. Os pagamentos da
contratação de jogadores, foram feitos por meio de
depósitos realizados diretamente do Exterior para os países
de origem dos atletas, sem passagem pelo Banco Central brasileiro,
tendo ainda dois agravantes:
a-os valores são confusos
(Boca Juniors, US$16 ou US$22,5 mi; River Plate, US$ 8 ou US$ 14 mi,
etc). O diferencial entre o que os clubes falam que receberam e o que
se diz que foi pago é sempre fruto de longa e contorcida
explicação;
b-a origem dos pagamentos: quase
sempre a partir de paraísos fiscais e em nome de empresas com
as quais o Corinthians não tem nenhum tipo de relacionamento.
Tudo isso seria melhor esclarecido se a MSI publicasse
balanço e este fosse auditado, se o clube conhecesse os
investidores e estes pudessem aparecer. Isto tudo não é
mágica, e, desafortunadamente, não está nos
horizontes da MSI.
Entre todas as informações
geladas e confusas dadas, poderia a MSI ter informado detalhadamente
o pagamento das dívidas do Corinthians, a que se comprometeu
contratualmente. Isto não foi feito. Seria um bom momento para
justificar a desagradável situação de um clube
que tem suas contas seguidamente bloqueadas em ações
trabalhistas de responsabilidade da MSI.
SUPERANDO A
PISADA NA BOLA
É inegável a grande qualidade do
elenco do Corinthians, superior a qualquer outro clube. Tanto os
jogadores contratados, quanto os revelados e promovidos nas
categorias de base, têm disputado belas partidas. Somente os
erros da direção do clube e da empresa parceira –
que são muitos e quase infindáveis – têm
tumultuado a jornada corinthiana, mesmo assim, o Corinthians chegará
ao tetra, vencendo seus adversários e os erros da direção
e da empresa.
BOA, TEVEZ!
Notável com a bola
no pé, extraordinário quando arranca para o gol, Tevez
tem tudo a ver com o Corinthians. Solidário com os colegas
jogadores, com uma humildade sem arrogância, faz a história
com a camisa do Timão. Na sua entrevista à Veja, em 16
de novembro, marcou mais um belo gol:
“-Veja:
Incomoda-o a suspeita sobre a origem do dinheiro da MSI?
-Tevez:
“Não vejo problema. Não trabalho para a
MSI.” ”
ABRAÇO
AMIGO
Não passa uma semana sem que dirigentes do São
Paulo façam alguma frasezinha sobre o Corinthians. É o
estádio, é o título do mundial, é o
cabelo do jogador etc. Nenhuma frase sobre a MSI. Será que
eles gostam da empresa?
Antonio
Roque Citadini
2005-11-21