URBIS ET ORBI
Quando da
discussão inicial sobre a parceria Corinthians-MSI, muito se
falou sobre o objetivo de internacionalizar o nosso querido clube da
Fazendinha. Não há dúvida de que esta finalidade
está sendo plenamente alcançada, infelizmente pelo lado
negativo.
Não há semana em que jornais e revistas da
América do Sul, da Europa e até da Ásia não
publiquem alguma notícia sobre a associação do
Corinthians com um obscuro grupo de investidores. Na última
semana foi a revista alemã Der Spiegel, - a mais
importante e de maior circulação de seu país -,
que publicou grande matéria sobre a tenebrosa parceria. Tudo
que na revista aparece compromete o Corinthians, o futebol
brasileiro, os investidores, os contratos, os negócios e tudo
o mais que vem sendo realizado, longe de nos dignificar, borra a
imagem do clube como partícipe de negócios escusos e de
conseqüências imprevisíveis.
Se ganhamos
manchete na Europa e na América Latina sempre com notícias
ruins no plano interno, o clube acumula desempenhos insatisfatórios
com a parceria. Vivendo uma situação pré-profissional,
quase amadora, desorganizando toda a estrutura do futebol, colhemos
medíocres resultados em campo, a exemplo da desclassificação
da Copa do Brasil com a derrota para o Figueirense. A MSI
reestabeleceu noções de administração que
já estão extintas no próprio futebol de várzea,
como diretores invadindo vestiários para se queixar de atletas
ou freqüentando boates com estrelas do time. É neste
quadro de puro amadorismo que o clube vive por gestão da MSI,
seus negócios escusos e de seus deslumbrados
diretores.
DIVIDINDO
A Folha de S. Paulo
na última quarta-feira, 4/5, publicou uma
nota grosseira e chula procurando me atingir. É conhecido o
mau humor que a Folha nutre pelas pessoas que se opõem
à parceria, notadamente por mim, em razão de não
me calar diante da pífia cobertura realizada pelo jornal entre
junho e dezembro de 2004, à oportunidade das tratativas sobre
a parceria. O repórter da Folha que, durante seis
meses, cobriu aquelas discussões, tornou-se, em seguida,
assessor de imprensa da MSI-Kia. O resultado da cobertura daquele
período pode ser conferido em link de meu sítio
(www.citadini.com.br/corinthians.htm) onde estão
publicadas, e poderão ser comparadas, as notícias da
Folha e de O Estado de S. Paulo no dia-a-dia das negocições
da parceria.
A frágil cobertura da Folha omitiu os
aspectos negativos da parceira, muito propagandeou de ilusões
e, no fundo, desinformou o leitor, como tive oportunidade de afirmar
à revista Caros Amigos na edição de março
de 2005. Passados alguns meses, o atual assessor de imprensa da MSI,
ex-repórter encarregado da cobertura da formação
da parceria, ainda tem amigos no “Painel” para publicar
uma nota grosseira como a de quarta-feira.
Diante da informação
de que o Senhor Kia ia a boates com jogadores, - fato largamente
documentado pelos jornais, notadamente o Diário de S. Paulo,
especialmente no dia seguinte à partida Corinthians x Cianorte
no Pacaembu -, o assessor da MSI plantou uma declaração
afirmando que eu deveria “sair com o Clodovil”. Nada como
contrapor uma notícia com um ataque rastaqüera.
Ataque
que não me atinge, mas ofende uma parcela significativa de
funcionários e jornalistas da própria Folha de S.
Paulo, reconhecidamente um veículo de comunicação
que reúne vários homossexuais, alguns dos quais meus
amigos de longa data, cuja opção sexual e de vida apoio
e respeito. Não havendo de minha parte nenhum problema quanto
a isso, creio que a orientação sexual
dos funcionários e jornalistas da Folha deva ser
respeitada, seja ela hétero, homo ou bissexual. E,
sabidamente, no jornal, do primeiro ao último andar,
encontraremos as mais variadas manifestações sexuais em
seus quadros. Não nos esqueçamos que a Folha há
alguns anos fez publicidade com um casal homossexual, vendendo idéia
de liberalidade, modernidade, buscando cooptar assinaturas do público
gay.
Não conheço e nunca estive com o Senhor
Clodovil, mas respeito sua opção sexual,
e a dos jornalistas da Folha que, se vierem a integrar a
próxima Parada Gay como um bloco, certamente será dos
mais numerosos.
O fato de a Folha ter feito tão
grosseira e chula afirmação não me impedirá
de continuar afirmando que a postura adotada pelo jornal, à
ocasião da discussão da parceria, foi equivocada pois o
jornalista responsável pela cobertura da matéria
tornou-se o assessor de imprensa da MSI e quando das discussões
omitiu informações relevantes sobre o “parceiro”
do Corinthians. Se o jornal foi levado a erro, deveria tornar público
o reconhecimento de seu equívoco e jamais supor que possa
intimidar aqueles que apontam seus deslizes.
Antonio
Roque Citadini, vice-presidente do SC Corinthians
Paulista.
2005/05/05