CAMARADA
KOBA, FRATELLO ZAZÁ
Nunca
tive grande conhecimento sobre a Geórgia. A mais remota idéia
que tenho desta ex-república da União das Repúblicas
Socialistas Soviéticas (URSS) liga-se ao fato de que ali
nasceu Joseph Stálin.
Muito antes de tornar-se o timoneiro soviético, Stálin
era disciplinado e atuante membro do
Partido Comunista Georgiano. Lá,
quando ainda não havia mandado milhares e milhares de
chechenos e outras etnias para morrerem na
Sibéria, e de prender e matar boa parte dos oficiais do
exército vermelho - que tanta falta faria na fase inicial da
Segunda Guerra, Stálin atuava na clandestinidade
e usava o codinome “Koba”.
Esta foi a minha principal informação sobre a Geórgia.
A partir de agora tenho uma nova e inesperada referência. Não
sei se é rico, se é pobre, baixo, alto, gordo ou magro,
sei apenas que, sem pedir referência bancária, sem
exigir avalistas ou qualquer outra garantia, ele enviou dois
milhões de dólares emprestados na primeira operação
da parceria MSI-Corinthians. Fiquei matutando se isto seria sobra da
generosa solidariedade internacional comunista, que teria deixado no
coração de Zazá o
desejo de ajudar um clube da América Latina. Lembrei-me de
todos os operários da URSS que, durante a Guerra do Vietnã,
doavam um dia de trabalho por mês, convertido em ajuda enviada
aos vietnamitas em luta contra os Estados Unidos. Igualmente veio-me
à lembrança o gesto dos trabalhadores da ex-Alemanha
Oriental que trabalhavam 4 horas a mais por semana fabricando
bicicletas para enviar aos vietcongues,
como também faziam os búlgaros levantando donativos
para auxiliar o recém-instalado regime cubano de Fidel
na década de 1960.
Depois que li, no entanto, a
matéria da Folha de S. Paulo de hoje, 24/2/5, “MSI
instalou-se no Brasil com dinheiro da Geórgia”,
decepcionei-me. Nada de um restinho do que teria sobrado da
solidariedade internacional comunista, mas o empréstimo de
Zazá é uma obscura operação de não
menos obscuro fundo que tenta driblar o Banco Central numa operação
que compromete quem envia e quem recebe o dinheiro.
HMTF
nada tem a ver com MSI
Na complicada parceria do Corinthians
muitos dos apressados defensores da MSI vivem dizendo que a Hicks
Muse era uma empresa igual aos parceiros soviéticos atuais do
Corinthians. Nada disso é verdade. A Hicks, HMTF, é um
fundo com proprietários de nomes conhecidos, sede nos Estados
Unidos, operação em todo mercado de capitais
norte-americano e investimentos em vários países, e
seus negócios, alguns lucrativos e outros desastradamente com
prejuízos, são conhecidos no mercado e auditados por
empresas de renome. Não é o que ocorre com a MSI. Não
há relatórios de auditoria de seus negócios,
seus citados diretores mudam como o clima em São Paulo, e a
empresa nunca fez nenhum negócio a não ser este com o
Corinthians.
Contratação de Jogadores
Não
há corinthiano que não esteja animado com a chegada de
jogadores, alguns dos quais são craques sem maiores
discussões, como Tevez. Nessas operações não
se discute a qualidade dos atletas, o mesmo não ocorre com os
anunciados valores pagos. Além de os pagamentos não
passarem pelo Corinthians, - o que compromete o contrato e a parceria
-, os negócios concentram-se em Portugal e na Argentina. Será
que isto ocorre em virtude da tradicional flexibilidade destes dois
países na área de câmbio? Quando da discussão
da parceria, em anúncio publicado nos jornais, a MSI afirmava
que faria grandes investimentos no Brasil. Parece que está
sendo mais fácil investir na Argentina e em Portugal.
Roque
Citadini, vice-presidente do SC Corinthians Paulista.
2005/02/24