MP paulista vai investigar Alckmin e Lu


Tatiana Farah* e Soraya Aggege


SÃO PAULO. O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e sua mulher, Maria Lúcia, a Lu, serão investigados pelo Ministério Público de São Paulo por suspeita de improbidade administrativa. O procurador-geral de Justiça do Estado, Rodrigo Pinho, vai apurar se houve responsabilidade direta do ex-governador no suposto esquema de uso político de verbas publicitárias de empresas do governo. Já a ex-primeira-dama será investigada devido aos mais de 400 peças de roupa, a maioria vestidos, que teria recebido como doação do estilista Rogério Figueiredo. A Promotoria da Cidadania também começou a abrir inquéritos ontem para investigar outras denúncias de supostas irregularidades no governo.

—Existem elementos que justificam o início das investigações — afirmou o procurador. — O procedimento foi instaurado para apurar eventuais atos de irregularidade administrativa referentes à má-utilização de verbas públicas. Mas ainda é cedo para qualquer conclusão.

Duas linhas de investigação sobre ex-governador

São duas linhas de investigação sobre Alckmin, pré-candidato à Presidência pelo PSDB. Uma delas é para saber seu envolvimento com suposto esquema viciado de publicidade na Nossa Caixa. A empresa é acusada de distribuir as verbas de acordo com interesses políticos do governo tucano.

A segunda investigação trata de contratos de publicidade da estatal CTEEP (Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista) e da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico de São Paulo) com a publicação “Chan Tao”, do acupunturista de Alckmin, Jou Eel Jia. As denúncias sobre a “Chan Tao” e os vestidos de Lu Alckmin foram apresentadas pelo corregedor da Assembléia, o deputado Romeu Tuma Junior (PMDB). O deputado disse que, se confirmadas as denúncias contra Lu Alckmin, ela pode ser responsabilizada até por crime de peculato.

—É no mínimo um caso de improbidade. Mesmo que dona Lu tenha recebido os vestidos e doado através do Fundo Social de Solidariedade, que presidia, faltaram os procedimentos administrativos para as doações. Pode ser visto também como crime de peculato, já que o próprio ex-governador afirmou que ela usou os vestidos e depois os doou — afirmou Tuma Júnior.

O procurador ainda não tem um calendário de depoimentos, mas não descarta a convocação do ex-governador. Após a renúncia ao governo, Alckmin perdeu o foro privilegiado.

Sabesp deve entrar na investigação

O secretário da Promotoria de Cidadania, Sérgio Turra Sobrani, distribuiu ontem frentes de investigação sobre a Nossa Caixa: contratos supostamente superfaturados na área de informática, contratação sem licitação de advogados no Brasil e nos EUA e aquisição de padarias para programas sociais. Nos próximos dias a Sabesp deve entrar na investigação, também pelo direcionamento das verbas de publicidade.


(O Globo, “O País”, 04/04/2006, p. 12)