PT quer investigar acupunturista de Alckmin
Soraya
Aggege e Tatiana Farah*
SÃO PAULO. O acupunturista do
ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), Jou Eel Jia, entrou ontem no
foco das investigações do Ministério Público
do Estado e da Assembléia Legislativa paulista. A liderança
do PT reuniu contratos da Associação de Medicina
Tradicional Chinesa do Brasil, presidida por Jia, e suspeita de
tráfico de influência. Um dos contratos, para treinar
professores em meditação, é de R$ 1,044
milhão.
A Procuradoria-Geral de Justiça do
Estado abriu procedimento para investigar a possibilidade de a
revista de Jia, “Ch’an Tao”, ter recebido verbas de
estatais com influência do então governador. São
dois contratos, de R$ 120 mil no total, firmados com a Ceetep
(Companhia de Transmissão de Energia Elétrica
Paulista). A investigação se estenderá a outros
contratos da revista com estatais, como a Sabesp (Companhia de
Saneamento Básico de São Paulo). Na edição
de março, a revista publicou entrevista de nove páginas
com Alckmin, que também está sendo investigado. Os
contratos entre a Secretaria da Educação e a Associação
podem ser anexados à investigação, chefiada pelo
procurador-geral de Justiça, Rodrigo Pinho.
Secretaria:
R$1 milhão com transportes e diárias
A parceria
da Associação de Medicina Tradicional Chinesa com a
Secretaria de Educação está no balanço de
2005 do governo Alckmin publicado no Diário Oficial do
Legislativo em 18 de março de 2006. Há ao menos dois
projetos conjuntos: “Spa Urbano Escola da Família”
e “A Saúde começa na Educação”.
No primeiro, a entidade faz oficinas para desenvolver “o
controle do corpo e da mente” no Spa Cha’n Tao. O outro
projeto afirma ter treinado 29 mil professores com meditação,
com gasto de R$ 1,044 milhão.
A Secretaria de Educação
informou que a despesa foi feita para cobrir transporte e diárias
dos professores e negou ter contratos com a associação.
Haveria “termo e cooperação técnica”
entre as instituições.
O líder do PT na
Assembléia, Enio Tatto, vai convocar o acupunturista para que
ele se explique aos deputados.
(O Globo, “O País”, 04/04/2006, p. 12)