TCE
suspende licitação da Linha 4
Tribunal
alega que Metrô mudou edital em cima da hora e terá de
esperar para concluir primeira PPP do País
Marisa
Folgato
Clarissa Oliveira
O Tribunal de Contas do
Estado de São Paulo (TCE) suspendeu ontem o processo de
licitação da Linha 4 (Amarela) do Metrô, que
ligará a Luz à Vila Sônia. A decisão
impede a realização, amanhã, da sessão
pública para entrega de propostas da primeira Parceria
Público-Privada (PPP) do País. Segundo o TCE, a
alteração do patrimônio mínimo exigido das
empresas participantes foi feita em cima da hora, o que fere a
legislação.
No dia 10, o valor do patrimônio
mínimo passou de R$ 81,75 milhões para R$ 79 milhões,
aumentando o universo dos que poderiam participar. Mas a mudança
ocorreu, segundo documento distribuído pelo tribunal, com
apenas 14 dias de antecedência em relação à
data da entrega das propostas. A lei exige 30. O TCE requisitou ainda
a apresentação de documentos.
O conselheiro
Cláudio Ferraz de Alvarenga deu o parecer, após
representação enviada ao TCE pelos deputados estaduais
Nivaldo Santana (PC do B) e Simão Pedro (PT) e pelo Sindicato
dos Metroviários de São Paulo. Segundo o presidente do
sindicato, Flávio Godói, hoje, às 18 horas,
haverá uma manifestação contra a privatização
do metrô na Assembléia Legislativa.
O presidente
do Metrô, Luiz Carlos David, disse que entregou minutas do
edital a vários conselheiros e tem um encontro marcado para
hoje com Alvarenga para tratar do assunto. "O TCE apenas
suspendeu e pediu o cumprimento dos 30 dias. Vamos cumprir."
David criticou a ação do sindicato, com apoio
dos dois deputados. "O governo federal não conseguiu
fazer a primeira PPP e quer impedir o Estado." A estimativa é
de que o processo atrase em 30 a 40 dias.
PARCERIA
Na representação, o sindicato questiona a
maior participação do Estado na parceria. Serão
73%, US$ 922 milhões, aplicados em infra-estrutura, obras
ventilação e escadas rolantes. "O consórcio
que vencer a licitação terá de investir só
US$ 340 milhões em trens e sistemas operacionais. Isso é
um absurdo", disse Godói.
A iniciativa privada
vai fazer a operação comercial da linha por 30 anos. O
Estado fixará reajustes de tarifa, mas a concessionária
não terá prejuízo - o governo vai arcar com
eventuais perdas.
A previsão é de que o Estado
entregue as Estações Butantã, Pinheiros, Faria
Lima, Paulista, República e Luz em dezembro de 2008. As
Estações Vila Sônia, Morumbi, Fradique Coutinho,
Oscar Freire e Higienópolis ficam prontas em 2012. A linha
deve transportar 970 mil passageiros por dia.
(O
Estado de S. Paulo, Metrópole, 23/03/2006)