Tribunal de Contas complica Alckmin


TCE julgou irregulares contratos de publicidade da Nossa Caixa


O Tribunal de Contas do Estado (TCE) condenou - "por ofensa à Lei de Licitações, afronta aos princípios da legalidade e da moralidade e ausência de cuidados para com a Lei de Responsabilidade Fiscal" -, a prorrogação de contratos da Nossa Caixa com agências de publicidade que teriam causado gastos irregulares de R$ 42, 8 milhões.

A decisão foi tomada por unanimidade, após auditoria que identificar "graves irregularidades" no negócio firmado em 2002, último ano do primeiro mandato de Geraldo Alckmin, pré-candidato do PSDB à Presidência. O tucano ainda é investigado pela acusação de distribuir verbas publicitárias do banco a deputados aliados na Assembléia Legislativa. Ele nega.

A Nossa Caixa contratou a Full Jazz e a Colucci em março de 2002 para “serviços de publicidade”, pelo valor de R$ 16 milhões e R$ 12 milhões, respectivamente. Os contratos eram de 18 meses, mas foram esticados por quase dois anos, sem concorrência. O TCE rechaçou a versão que Alckmin deu para o caso – segundo o ex-governador, houve apenas “um erro formal”.

“Rejeito informações que destacam ter havidio somente erro formal, pela não-celebração de aditivos, pois é intolerável que o banco busque conceder a si mesmo o direito de estabelecer relações contratuais amparadas em pactos verbais”, afirmou o conselheiro Eduardo Carvalho, relator do processo. “As graves irregularidades da Nossa Caixa evidenciam que os atos se distanciaram do necessário rigor que deve haver no trato da coisa pública”. A decisão do TCE será enviada ao Ministério Público Estadual.

O tribunal cita como responsáveis o ex-diretor do banco Odair Ziolli – atual subprefeito da Freguesia do Ó, indicado pelo ex-prefeito José Serra, pré-candidato do PSDB ao governo do Estado –, e o presidente da Nossa Caixa, Carlos Eduardo Monteiro.

“Não obstante as demissões anunciadas pelo presidente da instituição, de forma alguma essa questão pode ser dada como encerrada”, disse Carvalho. A decisão do TCE ocorreu um dia após o governador Cláudio Lembo (PFL) – que assumiu com a saída de Alckmin – informar que seria feita auditoria externa nos contratos.

O presidente da Nossa Caixa depôs ontem na Assembléia Legislativa e culpou o ex-gerente de Marketing, Jaime Castro Jr., por irregularidades nos contratos. Contou que, em 27 de junho de 2005, Castro Jr. o procurou e, 2 dias depois, instaurou sindicância. Admitiu erro, mas se eximiu de culpa.

Monteiro caiu em contradição. Indagado por Candido Vaccarezza (PT) se havia recebido requerimento, em março de 2005, para enviar à Assembléia detalhes dos contratos, Monteiro disse que recebeu o pedido só em maio. Diante de documento, com data de 18 de março, o presidente da Nossa Caixa alegou que se confundiu. “É necessária abertura de CPI”, disse Renato Simões (PT).


(Jornal da Tarde, Política, 26/04/2006)