Administração
Estadual
Banco Santos
De quem é a culpa?
Aplicação
milionária que se perdeu na falência do Banco Santos
provoca troca de acusações no Maranhão
Por
Rudolfo Lago e Hugo Studart
Uma pergunta não quer calar
no Maranhão: quem empurrou o fundo de pensão dos
funcionários do governo do Estado, o Fepa, a investir R$19
milhões no falido Banco Santos? A discussão é
mais um capítulo da briga entre o governador José
Reinaldo Tavares, do PSB, e a senadora e ex-governadora Roseana
Sarney, do PFL. O governo do Maranhão e o fundo de pensão
entraram na Justiça para reaver o dinheiro aplicado, que foi
engolido no processo de liquidação do Banco Santos. Em
São Paulo, o assunto está sendo investigado pelo
procurador-geral de Justiça Raimundo Nonato de Carvalho Filho.
Em São Luís, o deputado estadual Julião Amin, do
PDT, pede uma CPI na Assembléia Legislativa para apurar o
caso. O que se sabe até o momento é que houve uma
operação triangular: o fundo de pensão aplicou
os R$19 milhões (que renderam e viraram R$21 milhões)
no Banco da Amazônia (Basa) e este, por sua vez, resolveu
terceirizar o investimento numa aplicação no Banco
Santos. A decisão de fazer a transferência teria sido de
Evandro Bessa, diretor de controle do Basa. O que se pergunta é:
quem indicou Bessa para o Basa? Os aliados de José Reinaldo
dizem que foi Roseana e seu pai, o senador José Sarney
(PMDB-MA). A senadora Roseana garante que a indicação
foi de José Reinaldo. Roseana é candidata a um novo
mandato como governadora do Maranhão. E José Reinaldo
apóia a candidatura do ex-presidente do STJ, Edson
Vidigal.
US$21
milhões do fundo de pensão do funcionalismo do Maranhão
estavam aplicados no Banco Santos. Com a intervenção,
sobraram apenas R$2,9 milhões
Com a
intervenção federal no Banco Santos, apenas R$2,9
milhões ficaram disponíveis para resgate. Iniciou-se,
então, uma batalha judicial para reaver o dinheiro, sob a
alegação de que o governo nada sabia dessa
triangulação. Isso, porém, é o que o
Ministério Público e a provável CPI estadual
querem mesmo saber.
“Não parece ter sido por
acaso que esse dinheiro foi parar no Banco Santos”, comenta o
deputado Aderson Lago, do PSDB. “As ligações
entre a família Sarney e Edemar Cid Ferreira, o presidente do
Banco Santos, são públicas e notórias, e quem
indicou Evandro Bessa para o Basa foram os Sarney”, completa. A
mulher de Cid Ferreira, Márcia, é filha do ex-senador
Alexandre Costa, já morto, e amiga de infância de
Roseana. “Essa aplicação não foi feita no
meu governo”, lembra Roseana. “Eu não tenho
nenhuma relação com o Bessa nem sou responsável
pela sua indicação.” Nessa história já
se sabe o nome do mordomo. Resta saber quem é o patrão.
(Revista ISTOÉ, http://www.terra.com.br/istoe/1914/brasil/1914_quem_culpa.htm, ed. 1914, 28/06/2006, p. 38)