Administração
Estadual - EDUCAÇÃO
Relatório aponta que
secretaria fez compras superfaturadas e firmou contratos com falhas
usando verba federal
União acusa Alckmin de gastos irregulares
JOSÉ
ERNESTO CREDENDIO
DA REPORTAGEM LOCAL
Um
relatório da Controladoria-Geral da União apontou que o
governo de São Paulo fez compras com preços
superfaturados e firmou contratos irregulares com verba repassada
pela União para a aquisição de merenda escolar e
a distribuição de material didático. O órgão,
ligado ao governo Lula, ainda levantou indícios de
irregularidades em licitações feitas pelo Estado.
Foram
realizadas 16 fiscalizações, que envolveram despesas de
R$ 153 milhões com a educação. O relatório
ficou pronto em novembro, porém, foi reformulado e elaborou
uma nova conclusão há duas semanas.
Um dos trechos
do relatório responsabiliza pessoalmente o secretário
Gabriel Chalita (Educação) por compras sem licitação
com preços superiores aos praticados pelo próprio
governo do Estado. Chalita é um dos assessores mais próximos
de Geraldo Alckmin, indicado anteontem pelo PSDB para disputar a
Presidência da República em outubro.
As supostas
irregularidades foram relatadas -e enviadas ao Ministério da
Educação e ao Ministério Público- somente
após o governo de São Paulo apresentar seus argumentos
em relação aos processos analisados.
Os dados estão
em um relatório que foi elaborado pela Controladoria-Geral
sobre o uso de recursos da União pelo governo de Geraldo
Alckmin.
Como essa parte da auditoria foi realizada por
amostragem, com dois processos de compra, não foi preciso
estimar todo o suposto prejuízo. No entanto, os técnicos
apontam que o Estado de São Paulo pagou R$ 6.900 a mais apenas
nessas compras.
Essas despesas foram pagas com verba a título
de ""adiantamento" -quando o funcionário
recebe, gasta e depois precisa somente apresentar as contas. O valor
total desse convênio foi de R$ 164 mil -80% foram gastos com
esses adiantamentos.
Quando o governo do Estado pagava, por
exemplo, R$ 245 por uma memória de computador, a secretaria de
Chalita despendia R$ 415, segundo o
relatório.
ORÇAMENTOS
Questionada
pelos técnicos na época da auditoria, a secretaria
informava apenas que havia realizado três orçamentos
antes de fechar o negócio, explicação refutada
pelos técnicos.
Em outro item, os técnicos afirmam
que órgãos da Secretaria da Educação
superestimavam volumes para a compra de merenda escolar -em um caso,
para um consumo anual de 387 toneladas de carne em conserva, a
licitação 03/ 2004 pedia o equivalente a 2.400
toneladas/ano.
Com isso, afirmam os técnicos, as licitações
afugentavam pequenas empresas, sem capacidade para se comprometer a
entregar ao governo do Estado volumes daquela dimensão.
O
governo Alckmin ainda é acusado de dispensar indevidamente uma
licitação para contratar fundações para
ajudar a operar programas educacionais.
Em um dos contratos sem
licitação, a Fipecafi (fundação criada
por professores da USP) recebeu R$ 2,37 milhões do governo
para fornecer amparo contábil e logístico a um convênio
de R$ 44,8 milhões para a entrega de livros didáticos.
Segundo
o processo de contratação, somente a Fipecafi foi
consultada sobre os preços, ferindo a Lei das Licitações.
Ou seja, além disso, a União desconhece se pagou o
valor correto pelo serviço.
Em outro caso sem licitação,
a secretaria contratou a FIA (Fundação Instituto de
Administração), por R$ 2,9 milhões, para
gerenciar a distribuição de livros. Esse contrato
também foi considerado irregular.
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ENTENDA O CASO |
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O QUE DIZ A CGU |
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O QUE DIZ O GOVERNO |
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Uma
licitação foi aberta para a compra de 2.400
toneladas de carne em conserva por ano, mas o consumo era de 387
t/ano. |
CARNE |
As empresas não precisavam comprar e entregar todo esse volume |
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O Estado contratou irregularmente sem licitação, por R$2,4 milhões, a fundção Fipecafi para atuar no programa do livro didático |
LIVROS 1 |
A entidade, por não ter fins lucrativos e ser ligada à USP, poderia ser contratada sem licitação |
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O Estado contratou sem licitação, por R$2,9 milhões, a fundação FIA para atuar no programa do livro didático |
LIVROS 2 |
Os pareceres jurídicos sustentam a legalidade do contrato |
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Houve compras de produtos, sem licitação, a preços acima do mercado |
PREÇOS |
As três empresas foram consultadas antes de cada compra |
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As
licitações, ao contrário do que manda a lei,
eram conduzdias por assessores de confiança |
LEI |
Não havia outros funcionários habilitados para a função |
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O QUE CONCLUIU A CGU |
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1-Os fornecedores precisam saber exatamente qual o volume a ser entregue ou não participam da licitação. |
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2-Não houve pesquisa de preços. A prestação de serviço foi de logística, e não de desenvolvimento institucional. O contrato é ilegal. |
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3-A entidade é especializada em atividades de ensino e pesquisa, e não em logística. O contrato é irregular. |
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4-O próprio governo do Estado mantinha um cadastro com fornecedoras que cobravam menos pelos produtos. |
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5-Os procedimentos são ilegais. |
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FONTE: Controladoria Geral da União, Folha de S. Paulo, 13/03/2006, p. C-5 |
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(Folha
de S. Paulo, Folha Cotidiano, 16/03/2006, p. C-5)