GOVERNO ALCKMIN
Marcos
Willians Herbas Camacho, o Marcola, tentou negar aos membros da CPI
do Tráfico de Armas que fosse o líder máximo do
PCC. Insinuou que o “mito” é obra do governo de
São Paulo. O nome do candidato tucano Geraldo Alckmin foi
mencionado quatro vezes. Sempre em tom pejorativo.
Marcola
declarou aos deputados, com um riso nos lábios: “Fui
criado por determinadas pessoas, agindo de má-fé para
ter um bode expiatório. E cada vez que as coisas dessem errado
e eles não soubessem como controlar e a quem punir, tinha lá
o Marcola”.
“É
muito fácil ter um cara igual a mim”, prosseguiu o
bandido. “Se eu fosse político, eu ia arrumar um Marcola
também. Se eu fosse um governador, ter um Marcola, não
é bom, não? A segurança pública tá
um caos, a culpa é do Marcola, não é do Alckmin.
Nunca. Infelizmente. Essa é a realidade (...) Então,
quem lidera é o Alckmin”.
À medida
que o depoimento avançou, Marcola foi revelando os traços
do líder que alega ser “fabricado”. Disse que a
idéia do PCC nasceu em 93, época em que estava nas
ruas, assaltando bancos. A facção tomou corpo em 95,
quando já se encontrava preso. Admitiu ter sido um dos
formuladores da “parte ideológica” da
facção.
Apresentando-se como “autodidata”
–“O Estado nunca me deu nada”—, Marcola
ofereceu aos deputados pistas da origem da “ideologia” do
PCC. “A gente leu muito sobre Lenin,
sobre a formação do Partido Comunista Brasileiro”.
Disse ter buscado outras inspirações. A estrutura do
PCC “não é só leninista”. Citou Mao
Tse-tung.
Segundo
Marcola, o PCC formou uma rede de proteção à
população carcerária de São Paulo. A
facção é sustentada financeiramente por bandidos
que agem fora das cadeias. Negou-se a mencionar valores. “É
muito dinheiro”, limitou-se a dizer. A assistência é
estensiva às famílias dos detentos.
Marcola
também admitiu que os presos passaram a enxergá-lo como
líder depois do desgaste de Geleião, o primeiro
mandachuva do PCC. Geleião caiu porque adotava métodos
terroristas –“Ele quis explodir a Bolsa de Valores”—
e extorquia os presos. Alçado à testa da facção,
Marcola disse ter descentralizado a liderança. Instado a
nominar os integrantes da cúpula, ele riu. E disse: “Com
todo respeito, senhor deputado, o senhor quer me matar ou o senhor
quer fazer o quê comigo?
Perguntou-se a Marcola o que
achou da troca de comando na secretaria de Assuntos Penitenciários
–saiu Nagashi Furukawa e entrou Luiz Carlos Catirse. A resposta
do criminoso embutiu uma ameaça de recrudescimento da
violência:
“A gente sabe que ele (Catirse) tem
pouco tempo, 6 meses, inclusive ele tem uma situação
muito complicada na mão: são várias
penitenciárias destruídas, eleições daqui
a 3 meses, ele não pode muito com repressão porque as
coisas podem voltar a acontecer novamente. Então, eu acho que
ele está numa situação difícil, o
secretário”.
Escrito por
Josias de Souza às 02h56
(Blog do Josias de Souza, http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/, 09/07/2006)